Dona Elvira

Uma das melhores coisas de viagens e conhecer tipos novos, pessoas únicas. Apesar do susto no Chile, podemos nos dedicar a isso. Conhecemos tipos simpáticos em Santiago, Valparaíso, mas Púcon foi a campeã nesse quesito.

Uma dessas pessoas merece destaque especial nessas férias: Dona Elvira. Os chilenos são educados, porém, se comparados com à minha experiência com os argentinos, eles são um pouco frios e distantes. Dona Elvira não é assim.

Dona do Hotel Los Maitenes, ela é uma senhora na casa dos 60 anos, cheia de misticismo e simpatia. No dia em que chegamos ao seu hotel, depois de sermos recebidos por suas funcionárias e tomar café, ela chegou na recepção ainda de camisola. Não é à toa que me sentia em casa naquele lugar.

Tive conversas bem curiosas com ela. Aprendi um pouco mais sobre a história do Chile; “descobri” que o terremoto aconteceu por culpa dos americanos (os russos que contaram, segundo ela mesma); me toquei que algumas flautas espalhadas pela casa podem neutralizar as más energias da madeira; me revoltei com as construtoras sem escrúpulos que roubaram os chilenos ao construir prédios extremamente despreparados para terremotos; entre outros tantos ensinamentos.

O café-da-manhã do seu hotel era tão receptivo como ela. E quando falo que me sentia em casa, não é exagero. Até a geladeira eu abri, servindo minha própria refeição num dia que precisamos acordar mais cedo. Tirando o fato que ela sentiu-se mal com o fato de termos passado pelo terremoto durante nossas férias. Primeiro, não queria nos deixar pagar, depois, cobrou duas noites, quando deveríamos pagar por três.

Isso sem contar suas crenças: respirei o ar da noite e agradeci as estrelas e a lua durante uns bons dias. Além do que, enquanto estava preocupada com ela se esquentar com roupas na madrugada do terremoto, ela queria esfregar ervas no meu rosto para me dar proteção.

Se passar por Púcon, ao sul do Chile, não deixe de conhecer Los Maitenes e se divertir com Dona Elvira.

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Férias para não esquecer

Minhas últimas férias tinham sido em maio de 2008. Estava sonhando com a minha ida pro Chile e esperando essa oportunidade ansiosamente. Planos, confere roteiro, confirma reservas, compra guias… e lá vamos nós.

Caminhamos por Santiago, nos assustamos com a criminalidade de Valparaíso e achamos que havíamos chegado ao momento máximo de emoção quando escalamos o vulcão Villarica, em Púcon. Que aventura.

Fomos dormir nos achando super aventureiros e pensando que a gente tinha chegado ao ponto alto das férias. “Essa foi a parte mais diferente, sem dúvida”, comentamos.

Às 3h30 da manhã, acordamos com o nosso quarto parecendo um labamba em proporções bem maiores. Comecei a gritar pro Fernando correr que poderia ser o vulcão explodindo. Entrei em pânico, deitei na cama que tremia. O barulho era bem ruim e o susto gigante. Fui até o corredor e não conseguia entender o que uma hóspede me explicva. Comecei a perguntar se era o vulcão e só fiquei mais tranquila quando ela me disse que não e me disse que mesmo assim a gente tinha que sair.

Isso deve ter durado 2 minutos. Me vesti correndo e desci. Não conseguia pensar direito.

Fiquei até às 7h30 na rua, que tremia de vez em quando (sentimos tremores até agora). Depois de lutar com o sono, resolvi ir para o quarto dormir. Bom, cochilei algumas vezes até umas 10h30.

A energa só voltou no fim do dia e minha maior preocupação era dar notícia para os meus pais, que deviam estar desesperados.

Agora, minha maior preocupação é conseguir sair. Não quero visitar mais nada, não quero mais ficar em hotel. Quero minha casa, que tem uma cama que não fica dando umas tremidinhas o dia inteiro.

Já que a embaixada não nos ajuda e não conseguimos mais falar com eles, estamos desenhando nosso próprio roteiro. Espero pisar na terrinha na próxima terça, se tudo der certo.

Sobre as próximas férias: prometo que só dou um pulo em Serra Negra. Sem muitas emoções.